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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O Céu é Logo Ali, de Lilian Farias

Autora: Lilian Farias 
Editora: Editora Divas 
Ano: 2011 
Paginas: 126 

Sinopse: "O céu é logo ali representa a liberdade que são as borboletas e nos pássaros. Dolores e Clarice são mulheres que buscam tal liberdade. Dolores é uma mulher de muitas experiências; de vida simples e sem amigos. O único amigo que possui é esquizofrênico e a trata com muito carinho. Clarice é cheia de mimos e sempre teve de tudo, mas o que as liga são suas tribulações de sentimentos e busca por liberdade. Dolores fica encantada com o mais simples dos gestos, um pingo de chuva sobre a pele faz dela a pessoa mais feliz e livre do mundo. Já Clarice tem a vida dos sonhos, porém o destino pode destruí-lo com rapidez. O livro da Lilian é profundo e tocante. Ele nos mostra que devemos aproveitar o momento porque tudo pode acabar em um piscar de olhos." (Fernanda Bezerra) 

Dolores, uma mulher com trinta anos que trabalha em um restaurante, não tem amigos muito menos vaidade; ela está farta da monotonia de sua vida e decide que vai dar a volta por cima, e faz isso através da vaidade. Clarice, tem uma vida perfeita, mas sua vida muda de forma drastica depois de um acidente de carro. Mulheres tão diferentes, mas que vão em busca de um mesmo objetivo: A liberdade que só as borboletas tem. 

O Céu é Logo Ali de Lilian Farias é um livro curto, são apenas 126 paginas, mas sua historia não deixa nada a desejar se comparada à obras maiores, a escrita da autora é densa, cheia de poesia e realismo. O livro carrega uma carga emocional que é marca registrada de suas obras; já havia lido seu livro anterior Mulheres Que Não Sabem Chorar, que, assim como esse, me fisgou desde sua primeira pagina. 

Os personagens da Lilian são extremamente bem construídos e verossímeis, é impossível não se pôr em seus lugares, mesmo com a narrativa em terceira pessoa, é fácil sentir suas angustias, inseguranças, mas principalmente suas certezas. A leitura, apesar de densa, correu de maneira fácil e prazerosa. Mas acredito que mesmo com essa rapidez da leitura, eu consegui absorver todas as mensagens implícitas ao longo das paginas. 

Enfim, essa foi uma leitura extremamente tocante, profunda e emocionante sobre liberdade, seja ela da forma que for, principalmente a liberdade de ser mulher e poder sentir o que quiser sem as amarras que o mundo insiste em nos colocar. 

Eu, com toda certeza, indico mais essa obra nacional aos leitores que apreciem uma leitura poética e crua, que não usa de romantismo para manipular quem à ler.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O Pintor de Memorias, de Gwendolyn Womack

Autora: Gwendolyn Womack
Titulo Original: The Memory Painter
Editora: Record
Ano: 2016
Paginas: 378

Sinopse: Um amor que atravessa o tempo. Uma equipe de cientistas prestes a fazer uma grande descoberta sobre a construção da memória e um medicamento milagroso capaz de revelar um mistério antigo. Bryan Pierce é um renomado pintor cujos trabalhos deslumbram o mundo. Mas há um segredo para seu sucesso: cada tela é inspirada em um sonho excepcionalmente vívido. Sempre que acorda, ele adquire novas e extraordinárias habilidades, como a capacidade de falar línguas obscuras ou um gênio inexplicável para o xadrez. A vida inteira Bryan se perguntou se seus sonhos eram apenas isso ou se seriam memórias, se ele estaria experimentando a vida de outras pessoas. Linz Jacobs é uma neurogeneticista brilhante, dedicada a decifrar os genes que ajudam o cérebro a criar memórias. Ao visitar uma exposição na galeria de uns amigos, ela se depara com a imagem de um pesadelo recorrente de sua infância e adolescência... em um dos quadros de Bryan. Linz localiza o artista, e o encontro dos dois desencadeia o sonho mais intenso do pintor: a visão de uma equipe de cientistas que, na iminência de descobrir uma cura para o Alzheimer, morre em uma explosão no laboratório. Bryan fica obcecado pelas circunstâncias estranhas que cercam a morte dos cientistas, e seus sonhos aos poucos revelam o que aconteceu no laboratório, assim como um mistério mais profundo que o leva ao Egito antigo. Juntos, Bryan e Linz começam a perceber um padrão em seus sonhos. E que há um inimigo mortal observando cada movimento deles que não vai parar enquanto não atingir seu objetivo.

Neste livro vamos conhecer Bryan Pierce, um renomado e misterioso pintor com fama internacional. Suas telas são realistas, sempre pintadas com riqueza de detalhes, ele acostuma sempre retratar acontecimentos de épocas passadas, como por exemplo, um padre da Roma Antiga, observando uma misteriosa mulher ser queimada viva sob a acusação de bruxaria. As inspirações de suas pinturas vem de sonhos que ele vem tendo desde a infância, durante o sono ele os pinta mas ao acordar não recorda de tê-las pintado.

Em contrapartida conhecemos Linz Jacobs, uma famosa neurogeneticista que atualmente está trabalhando em uma pesquisa que consiste em descodificar os genes que guardam as memórias, destas e de outras vidas. Em um certo dia Linz vai a galeria de amigos, se depara com o quadro de Bryan, fica fascinada com a obra e decidi ir atrás do pintor, e é a partir daí que suas vidas se entrelaçam de uma maneira surpreendente.

O Pintor de Memórias da autora Gwendolyn Womack é um livro sobre família, amor e vida, cheio de reviravoltas de tirar o fôlego.

Sobre Minha Experiência de Leitura: Essa obra foi mais uma das inúmeras surpresas literárias que 2017 já me trouxe. A história me prendeu do começo ao fim por ser completa e complexa, e me trouxe muitos sentimentos e reflexões.

Essa história foi muito além do que eu esperava. O enredo parece ser simples mas vai muito além do que a sinopse mostra. É uma história cheia de ação, mistério, conspiração, além de romance e conflitos familiares.

 Ao contrário do que se possa imaginar, a obra não conta só uma história, mas sim várias que se entrelaçam de maneira instigante e ágil, apesar de a autora nos passar várias culturas, religiões e ambientações diferentes, ela faz isso com maestria, sem se perder em momento algum. Sua escrita é fluida e viciante.

Os personagens foram criados e desenvolvidos ao longo da narrativa de forma verossímil e ao mesmo tempo bastante complexa, principalmente suas psiquês.

O Bryan foi um personagem com o qual simpatizei logo no início, ele é um cara muito perturbado que se isolou do mundo por muito tempo por medo de que as pessoas a sua volta sofressem junto a ele por seus próprios problemas, mas ele amadurece muito conforme descobri o mistério por trás de seus sonhos, e principalmente com a ajuda da Linz, e ver seu crescimento foi muito interessante.

A Linz é igualmente incrível, sua história de vida me tocou muito; ela é órfã de mãe e foi criada apenas pelo pai, um cientista muito poderoso, o que desde cedo fez com que ela se apaixonasse pela profissão.

E por falar em seu pai, ele foi um personagem crucial para o desenrolar dos acontecimentos, um personagem extremamente ambíguo, que me trouxe muitas suspeitas ao longo da leitura e até o final não me deixou chegar a uma conclusão sobre ele, mas ao finalizar a leitura fui totalmente surpreendida.

O romance criado, apesar de todo o histórico que o levou a existir, não me trouxe muita verdade, não senti química entre os dois em momento algum, o que me desanimou bastante, aliás, romance na literatura tá me agradando pouquíssimo ultimamente, infelizmente.

Mas tirando essa parte, a leitura foi perfeita e eu à recomendo fortemente para aqueles que curtem uma leitura instigante e com uma boa dose de suspense e thriller psicológico.

Bom pessoal, por hoje é isso! Espero muito que tenham gostado de mais essa dica. Beijos e até o próximo post!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A Cor Púrpura, de Alice Walker


Atora: Alice Walker
Titulo Original: The Color Purple
Editora: José Olympio
Ano: 2016
Paginas: 336
Sinopse: A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. 
Celie é uma garota negra de apenas quatorze anos de idade, que sofre incontáveis abusos de seu próprio pai, engravida dele, é proibida de frequentar a escola e é afastada do convívio com sua irmã e filhos, além de ser vendida para um homem que a maltrata das piores maneiras possíveis.

Como não tem companhia alguma ao longo de sua vida, ela decide escrever cartas para Deus, e é através dessas cartas que passamos a acompanhar 40 anos de sua vida.

Sua realidade começa a mudar quando ela conhece Shug Avery, uma mulher negra que foi a grande paixão da vida de seu marido, uma mulher muito talentosa e independente, e ao poucos essa amizade vai fazer com que Celie enxergue a vida sob outras perspectivas, de uma maneira muito mais leve e feliz.

A Cor Púrpura da autora Alice Walker é um retrato ao mesmo tempo cru e poético da sociedade machista e preconceituosa do começo do século 20. É um livro triste, forte, que mostra sem rodeios, o quão machista e cruel é o ser humano, desde sempre.

A obra é narrada em formato epistolar, ou seja, através de cartas, de maneira extremamente simples e numa linguagem coloquial, com erros de ortografia e pontuação, como que para lembrar ao leitor que estamos lendo tudo sob o ponto de vista de uma mulher semi-analfabeta, e isso faz toda a diferença, pois nos deixa ainda mais próximos à ela.

Essa leitura me tocou profundamente, muitas vezes me vi emocionada, revoltada e triste durante toda ela; torci muito para que a Celie pudesse de algum jeito se livrar de suas amarras, e fiquei bastante satisfeita e feliz com seu desfecho.

Apesar do tema pesado, a autora soube muito bem como conduzir a obra por um caminho que fez com que ela não ficasse em momento algum enfadonha, pelo contrário, a história é super instigante, não tem como largá-la por muito tempo, eu mesma fiquei extremamente curiosa para saber o que iria acontecer com os personagens ao longo de cada página virada.

E por falar em personagens, são todos muito bem construídos e verossímeis, nenhum deles é totalmente bom ou mal, e esse foi mais um ponto positivo na minha experiência de leitura.

Fiquei totalmente apegada a todos eles, principalmente a Celie e a Shug, a relação das duas era linda e verdadeira, torci muito por ela todo o tempo.

Essa obra foi escrita no ano de o 1982, e ganhou o prêmio Pulitzer, e teve uma adaptação cinematográfica, que contou com Woopi Goldberg no papel principal e foi dirigido por Steven Spelbierg em 1985, e teve várias indicações ao Oscar.

Enfim, indico fortemente essa leitura, pois ela é essencial por trazer muitas reflexões acerca de temas muito importantes e atuais.

Espero que tenham gostado da dica de hoje. Beijos e até o próximo post!